Overview do mercado

Atualizado em 10/07/2020

Mercado financeiro hoje

Nesta sexta-feira (10/07) a bolsa brasileira ultrapassou a marca de 100 mil pontos após 4 longos meses se recuperando dos impactos sofridos pela pandemia, esse crescimento foi principalmente tracionado pelo cenário de otimismo mundial e pela recuperação do varejo brasileiro em maio.


Nos mercados internacionais, o S&P500 alcançou o mesmo patamar pré-crise de 3200 pontos (ref. 26/fev), o Euro Stoxx 50 ainda se encontra com uma queda de aproximadamente 9% (ref. 26/fev) e o SSE Composite Index saltou do patamar pré-crise de 3100 pontos para 3450 (ref. 09/jul), totalizando uma escalada de 11%.



Mercados mundiais de janeiro a julho de 2020

Fonte: Bloomberg


Motivos para o otimismo nos mercados


Essa maré de otimismo, posterior a maré de pânico que gerou vertiginosas quedas presenciadas no mês de março, se iniciou por diversos fatores sendo a divulgação dos indicadores econômicos chineses um dos principais. A produção industrial da China já demonstra sinais de recuperação com um aumento de 3,9% em abril, e 4,4% em maio (em relação mesmo mês do ano anterior), leitura mais alta desde dezembro.


Produção Industrial da China (YoY)


Além dos indicadores da China, outro fator que corroborou para a onda de otimismo é a grande liquidez nos mercados mundiais gerada pelas políticas monetárias implementadas ao redor do mundo, que acarretou em taxas de juros muito baixas. Nesta semana em específico, a divulgação da redução nos pedidos de seguro desemprego nos Estados Unidos foi um dos fatores que também alavancou o otimismo do mercado.


Pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos


Analisando o cenário brasileiro, a boa notícia mais recente veio nesta quarta-feira (08/07), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que as vendas no varejo avançaram 13,9% em maio na comparação com abril, o que impulsionou a bolsa brasileira a encostar novamente nos 100 mil pontos. Os destaques ficam para os setores de tecidos, vestuário e calçados (100,6%), móveis e eletrodomésticos (47,5%), outros artigos de uso pessoal e doméstico (45,2%).


Esse crescimento foi além do indicado pelo consenso Bloomberg que apontava uma alta de somente 5,9%. Contudo, no acumulado do ano o varejo recuou 3,9%.



Novos casos COVID-19 nos EUA e dívida pública brasileira


Apesar do aumento no número de casos de COVID-19, da grande imprevisibilidade econômica e da crise de justiça social nos EUA, os investidores continuam otimistas no mercado de ações. Segundo o Forbes e o USA Today, as taxas de infecção são maiores em pelo menos 32 estados, totalizando mais de 3 milhões de infectados e mais de 130 mil óbitos.



No Brasil, várias instituições já indicaram fortes retrações no PIB brasileiro para 2020: Banco Mundial -8%, FMI -9,2%, OCDE 7,4% e a Agência de classificação de riscos Moody’s -6,2%. E vale destacar também que, segundo o Valor, o relatório do Tesouro apontou um rombo de R$3,6 tri da União, além da projeção de que a dívida pública (Dívida bruta do governo geral - DBGG) em 2020 atingirá 98,2% do PIB.


Projeção da Dívida Pública Brasileira (%PIB)


Além disso, os números da pandemia no Brasil ainda são bastante preocupantes. No domingo (12/07), segundo os dados do Ministério da saúde, houve um total de 72.100 mortes e 1.864.681 casos confirmados de coronavírus, sendo 24.831 novos casos e 631 novos óbitos. Para acompanhar a evolução do covid-19 acesse Portal Covid-19 Visagio.



Manutenção de expectativas


Em resumo, é perceptível um descolamento do mercado de ações com a cenário atual que deflagra um grande crescimento dos números da pandemia. Porém, apesar da grande imprevisibilidade dos números do coronavírus e dos indicadores econômicos, segundo a Universidade de Yale, o comportamento dos investidores hoje está menos atrelado aos números atuais de infecções, mas sim se a expectativa de que a trajetória futura da evolução da pandemia é mais otimista ou mais pessimista em relação ao cenário atual.


Evolução das bolsas mundiais vs. Novas mortes por Covid-19 por semana

Fonte: Bloomberg, John Hopkins University


Essa expectativa, segundo o Prof. Daniel Sousa do Ibmec, é a força motriz para tomadas de decisão e são capazes de impulsionar ou travar o consumo das famílias e a aumentar ou congelar investimentos no setor privado. O FED nos EUA e o Ministério da Economia no Brasil tem o papel fundamental de realizar a manutenção dessas expectativas quando necessário, porém se mal geridas, podem resultar em desgastes e na perda de credibilidade.


Ao longo dos últimos meses, o Ministério da Economia frequentemente utiliza a reforma administrativa e a reforma tributária como ferramenta para manutenção do otimismo sobre o mercado brasileiro, contudo, elas ainda não chegaram ao congresso.



Otimismo da bolsa brasileira:


Indicadores desemprego EUA e Liquidez Mercado Financeiro

Produção industrial da China

Projeções PIB Brasileiro


Novas ondas de Covid nos EUA


Situação das contas públicas do Brasil

Expectativas do mercado e Ministério da Economia