Overview | Contexto das Eleições Americanas

Atualizado em 30/09/20


Estados Unidos | Eleições 2020


Overview


Fonte: Pixabay

No dia 03 de novembro, os Estados Unidos decidirão quem será seu novo presidente. Joe Biden do Partido Democrata e ex-vice-presidente de Barack Obama, e Donald Trump do Partido Republicano e atual presidente dos EUA são os candidatos das eleições de 2020.




Desde janeiro de 2020, Joe Biden mantém a liderança contra Trump nas pesquisas nacionais. De acordo com o veículo Real Clear Politics, no dia 29/09, 49,4% dos eleitores registrados votariam no democrata, enquanto 43,3% apoiariam o republicano.


No entanto, mesmo que Joe Biden apareça à frente nas pesquisas, Trump ainda assim pode ser reeleito, mesmo perdendo nas urnas. Isso porque há duas características fundamentais nas eleições dos EUA e que se diferenciam do sistema eleitoral brasileiro. São elas: o voto não é obrigatório e a eleição é indireta.


O primeiro ponto por si só já implica em um tipo diferente de campanha, na qual os candidatos também precisam convencer os eleitores a participarem das eleições, principalmente os pouco mobilizados.


Já nas eleições indiretas, o eleitor vota em seu candidato na cédula, mas o voto serve para eleger um delegado, que é representante dos eleitores de sua unidade federativa e que irá fazer o voto no candidato conforme a decisão da população local.


O Colégio Eleitoral é composto de 538 delegados, distribuídos de forma proporcional à população de cada estado. E vence o candidato que conseguir 270 destes votos.


Outro ponto importante é o “winner takes all” (“o vencedor leva tudo”), em que o candidato que obtiver a maioria dos votos no estado leva todos os delegados, não importando a diferença percentual. Isso ocorre na maioria dos estados, com exceção dos estados de Nebraska e Maine, onde os votos podem ser divididos.


Portanto, nem sempre o candidato que recebe a maioria dos votos é o vencedor. Isso ocorreu, por exemplo: em 2016, quando a Hillary Clinton perdeu as eleições contra Donald Trump, mesmo com 3 milhões de votos a mais que o republicano; e em 2000, quando Al Gore perdeu para o George W., mesmo com 500 mil votos a mais.


A ideia de definir a Presidência por meio de votos indiretos surgiu no século 18 pelos "pais fundadores" dos EUA. Eles queriam impedir que os candidatos se concentrassem somente nos Estados maiores para conseguir a maioria dos votos, portanto negligenciaram suas campanhas em Estados menores.

Além disso, tinham medo que grandes grupos com interesses em comum violassem os direitos de outros cidadãos ou prejudicassem a nação como um todo. Chamavam de “tirania da maioria”.


Logo, por esses motivos que os criadores da Constituição 1787 rejeitaram a ideia de que o presidente fosse eleito pelo voto popular.


Economia, questões sociais norte-americanas e as relações internacionais dos EUA são temas decisivos para as eleições de 2020. A seguir, destacamos os principais impactos em cada um desses temas com foco no posicionamento, ações e planos dos dois candidatos.




Fonte:


Economia norte americana


A economia dos EUA sofreu sua pior contração neste segundo trimestre de 2020 desde a década de 40. Reflexo da pandemia que devastou empresas em todo o país e deixou milhões de americanos desempregados.


O Escritório de Análise Econômica dos Estados Unidos divulgou na quinta-feira (27/08) que o Produto Interno Bruto (PIB) revisado do segundo trimestre, anualizado, despencou 31,7% no trimestre passado.


Os sinais de desaceleração na economia também foram captados pelos pedidos semanais de seguro-desemprego. O Departamento de Trabalho dos EUA divulgou que o governo norte-americano gastou quase US$ 250 bilhões com o seu programa de seguro-desemprego desde o início de abril até o final de julho.


Segundo a Bloomberg, o fraco resultado dos Estados Unidos em conter o vírus indica que a economia do país provavelmente se recuperará mais lentamente do que lugares que fizeram um trabalho mais eficiente. Enquanto a pandemia durar sem vacina, a tendência é que a produção econômica permanecerá abaixo dos níveis pré-crise, deixando cicatrizes permanentes em muitas empresas e trabalhadores.


Contudo, como uma das respostas para a atual situação dos EUA, na quinta-feira (27/08) o Federal Reserve (Fed) – Banco Central dos Estados Unidos - revisou sua meta de inflação no longo prazo, buscando atingir uma inflação média acima de 2%, dado que fazem anos em que a inflação está abaixo do patamar de 2%. Com isso, a intenção do Fed é injetar dinheiro na economia, maximizar a criação de empregos e manter as taxas de juros baixas, entre 0% e 0,25%.


A campanha de Trump continua forte em temas relativos à economia, seguindo sua campanha de 2016. Como histórico, segundo a BBC, desde janeiro de 2017, os EUA criaram mais de 480 mil empregos no setor manufatureiro, embora analistas digam que o crescimento do setor está desacelerando e que as iniciativas não trataram de questões estruturais mais profundas.


Já Biden, propõe um pacote econômico de US$700 bilhões denominado “Build Back Better” (reconstruir melhor). O pacote, que busca atrair os eleitores de Trump, pretende investir em energias limpas, gerar mais empregos e aumentar o salário mínimo.



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Questões sociais nos EUA


Além das questões econômicas, os EUA também vivem um momento delicado nas suas questões sociais. Após a morte de George Floyd no dia 25 de maio, os Estado Unidos vivenciam uma onda de manifestações contra a violência policial e o racismo. Mais de 2.000 protestos em todo território americano foram contabilizados nas duas semanas após a morte de Floyd.


No dia 23/08, na cidade de Kenosha, as mobilizações voltaram a ganhar força após o caso de Jacob Black, que foi baleado sete vezes por um policial. Black, negro de 29 anos, ficará com sequelas irreversíveis e paralítico.


Durante a nomeação formal de Trump como candidato republicano para as eleições de 2020 realizada nesta quinta-feira (27/08), centenas de manifestantes anti-Trump se reuniram em frente à Casa Branca. A pauta principal dos manifestantes era a violência policial e o racismo.


Já na sexta-feira (28/08), as ruas de Washington também foram tomadas por protestos que conjuntamente celebraram o 57° aniversário do discurso mais famoso de Martin Luther King: “Eu tenho um sonho, que, um dia, meus filhos pequenos viverão em uma nação onde não serão julgados pela cor da pele, mas pelo conteúdo do seu caráter”.


No dia 01/09, Donald Trump afirmou que Kenosha foi devastada por manifestantes contrários à polícia e prometeu ajudar os empresários locais para reconstruir empreendimentos destruídos durante os recentes protestos na cidade. Além dos US$ 42 milhões que o estado de Wisconsin receberá para reforçar a segurança na região, o presidente disse que enviará US$ 4 milhões em ajuda a esses pequenos empresários.


Segundo a BBC, enquanto Joe Biden, reagiu aos protestos dos últimos dias com críticas à violência policial, Trump e outros republicanos têm buscado reforçar a imagem dos protestos como foco de saques e depredações e em sua mensagem de "lei e ordem".



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Suprema corte americana


No dia 18 de setembro, a juíza da Suprema Corte, Ruth Bader Ginsburg, morreu de câncer no pâncreas aos 87 anos. Sua morte agitou ainda mais o cenário político americano que conta com menos de dois meses para as eleições.


Trump anunciou neste sábado (26) sua candidata para nova juíza da Suprema Corte dos Estados Unidos: Amy Coney Barrett, juíza nascida na Louisiana em 1972 e membro do Tribunal de Apelações do 7º Circuito de Chicago, cargo federal para o qual foi nomeada pelo próprio Trump em 2017.


Após o anúncio de Trump, os candidatos democratas à Presidência e a Vice-Presidência, Joe Biden e Kamala Harris, criticaram o plano de Trump para preencher rapidamente a vaga da Suprema Corte.


Grande parte das reclamações dos democratas são motivadas pelo entendimento bipartidário que, em caso de morte de um juiz durante o último ano de mandato de um presidente, a escolha deveria acontecer somente após as eleições.


Vale lembrar que em 2016, após a morte de Antonin Scalia, Obama indicou Merrick Garland para a Suprema Corte de Justiça. A votação, no entanto, foi bloqueada pelo líder da maioria republicana no Senado, Mitch MacConnell.


A indicação se tornou o centro da disputa eleitoral, já que o equilíbrio ideológico do tribunal é crucial para decisões sobre as questões legais mais importantes dos Estados Unidos. Agora a corte passa a contar com 5 juízes conservadores e 3 liberais.


O processo de nomeação de ministros à Suprema Corte ocorre de forma similar à forma que é feita no Brasil, pois é de responsabilidade do presidente da República a indicação e o Senado vota para confirmar ou rejeitar a escolha.



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Política externa norte americana


Em relação à política externa dos Estados Unidos, no início do ano, dia 02/01, Qassem Soleimani foi morto por um ataque de drones americanos em Bagdá, Iraque. Soleimani, 62, era chefe de uma unidade especial da Guarda Revolucionária do Irã, designada pelos EUA, pela ONU e pela UE como uma organização terrorista.


A ordem veio do presidente Donald Trump e o Pentágono afirmou que o objetivo foi deter planos de futuros ataques iranianos. Quanto a isso, alguns democratas criticam a decisão de Trump e tentam definir se é uma “ação de guerra” ou uma represália contra um terrorista.


Em relação à China, os EUA ordenaram o fechamento do consulado Chinês em Houston, Texas no dia 22/07. O comunicado oficial foi dado pelo Departamento de Estado americano com a justificativa de proteger a propriedade intelectual e as informações americanas.


Em retaliação ao comunicado americano, A China ordenou no dia 24/07 o fechamento do consulado dos Estados Unidos na cidade de Chengdu, no sudoeste do país.


Já o aplicativo Tiktok, controlado pela empresa chinesa ByteDance, sofreu com o decreto baixado por Trump no dia 06/08, o qual proíbe qualquer tipo de transação com o aplicativo e sua controladora. A ação foi motivada pelo receio de que a empresa entregasse dados de usuários às autoridades chinesas.


No entanto, segundo o The Wall Street Journal, neste domingo (13/09) a Oracle assumirá a operação do app TikTok nos Estados Unidos. A companhia americana será uma "provedora confiável de tecnologia" e deve assumir o gerenciamento dos dados de usuários do aplicativo nos EUA, viabilizando sua utilização em território norte americano.


Vale relembrar que, em outubro de 2018, a Bloomberg Businessweek publicou uma importante matéria sobre espionagem industrial: “Como a China usou um minúsculo chip para se infiltrar nas empresas dos EUA”. De acordo com o artigo, agentes do Exército de Libertação Popular da China instalaram microchips em placas-mãe fabricadas na China e vendidas pela Supermicro, nos Estados Unidos. Com isso, espiões chineses conseguiam acessar ilegalmente servidores de mais de 30 empresas americanas, incluindo a Apple e a Amazon.


Ambos os partidos pretendem manter ações contra a China. Trump, mais rígido, pretende proteger fabricantes nacionais e oferecer benefícios fiscais para que empresas americanas retirem suas fábricas do país asiático. Já Biden, segundo a revista Foreign Affairs, propôs formar uma coalizão internacional com outras democracias que a China "não poderá ignorar".


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COVID-19 nos Estados Unidos


Com mais de 7 milhões de casos de covid-19 e mais de 205 mil mortes, os Estados Unidos são o país mais atingido pela pandemia do novo coronavírus no mundo. Uma das mais recentes respostas à pandemia feita pelo presidente Donald Trump foi o anúncio, feito no dia 23/08, da expansão do tratamento do novo coronavírus, o qual envolve plasma sanguíneo doado por pessoas recuperadas da COVID-19.


A agência do governo americano que regula alimentos e medicamentos (FDA) liberou no domingo o uso desse tratamento em determinados pacientes. Segundo a matéria da Infomoney, a mudança facilita a aplicação, embora os estudos para provar seus benefícios ainda não tenham sido concluídos.


Com as eleições chegando, o presidente deseja acelerar o período de testes da vacina desenvolvida no Reino Unido e quer que as autoridades sanitárias concedam a “autorização de uso de emergência” em outubro para a vacina desenvolvida pela AstraZeneca e a Universidade de Oxford.




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