Digitalização Acelerada pelo Covid-19

Setores impactados e novos hábitos de consumo


1. Aceleração do E-commerce e vendas digitais 2. Dinheiro x Outros meios de pagamento 3. Presencial x Videoconferência 4. Aceleração no uso de Tecnologias 5. Crescimento das Big Techs




A pandemia do covid-19 mudou muito o comportamento das pessoas ao redor de todo mundo, novos hábitos de consumo se estabeleceram e enquanto uma crise se formalizada para muitos setores, outros atingiram o auge do seu crescimento. As novas necessidades fizeram com que a transformação digital das empresas fosse acelerada e as tendências mostram que muitos desses novos comportamentos devem se manter no longo prazo.


1/  ACELERAÇÃO DO E-COMMERCE E VENDAS DIGITAIS

Com as lojas sendo obrigadas a fecharem suas portas devido à pandemia do Coronavírus, a representatividade do e-commerce aumentou substancialmente. Segundo a ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico), a média de lojas que abriam mensalmente o comércio eletrônico era de 10 mil e passou para 50 mil logo após os decretos de isolamento social. Da segunda quinzena de março até final de abril, a venda pelo e-commerce mostrou um crescimento de 48,3% quando comparado ao mesmo período do ano anterior e um aumento de 14,4% quando comparado ao período pré-covid (início de fevereiro à primeira quinzena de março).


Os seis setores que tiveram maior crescimento de vendas online são: Calçados (99,44%), Bebidas (78,90%), Eletrodomésticos (49,29%), Autopeças (44,64%), Supermercado (38,92%), Artigos Esportivos (25,75%), Móveis e Decoração (23,61%) e Moda (18,38%). 

Uma parte importante desse crescimento vem de pequenos lojistas que estão usando plataformas já estabelecidas como B2W (Submarino e Americanas) e Amazon como marketplaces, o que permite a venda nessas plataformas em troca de comissionamento. Algumas iniciativas ajudaram a impulsionar esse movimento, como é o caso da Magazine Luiza que criou o programa Parceiro Magalu para atrair pequenos varejistas que tiveram suas lojas fechadas. Em parceria com o Sebrae, a Magazine Luiza está proporcionando um ambiente digital de negócios, marketing, logística de entrega, ferramenta de faturamento e instrumentos de análise de dados para a gestão da loja. Com isso, ela já ganhou 16 mil novas empresas para seu marketplace, mais que os 14 mil que tinha no fim de 2019.


Além disso, shoppings como o Eldorado, em São Paulo, e Nova América, no Rio de Janeiro, estão levando suas lojas para a Amazon Brasil onde terão uma página exclusiva no marketplace. De acordo Diego Marcondes, diretor de marketing da Ancar Ivanhoe ( administradora dos dois shoppings), essa ação faz parte de um pacote de medidas para a digitalização de vendas e a ideia é ter páginas para todos os shoppings do grupo na plataforma da Amazon até o final do ano. A entrega ficará sob responsabilidade do lojista e ele poderá usar soluções para digitalização do estoque de forma gratuita durante 60 dias ou enquanto sua loja estiver fechada.


A Ancar Ivanhoe também está investindo em armários digitais para alavancar as vendas. Essa iniciativa, chamada “Retire aqui”, funcionará como drive-thru sem hora marcada em 21 empreendimentos da companhia. Ao comprar via site ou WhatsApp, o cliente receberá um QR Code da loja para destrancar o armário dentro de 72h. Segundo Evandro Ferrer, presidente da Ancar Ivanhoe, há uma estimativa de que 50% dos consumidores devem seguir comprando online depois do fim da pandemia e os shoppings e o varejo como um todo precisam acelerar a digitalização para acompanhar o movimento.


Outra iniciativa que está alavancando as vendas online é a venda por WhatsApp. Na Via Varejo a campanha “Me Chama no Zap” já é utilizada por 7500 vendedores e corresponde a 20% das vendas. “A gente olhou para o que o consumidor estava disposto a consumir e disparou [oferta] para eles. Foi uma oferta já por CPF” disse Roberto Fulcherberger, diretor-executivo da companhia. A varejista, que no início da crise do coronavírus sofreu uma queda de 70% do seu faturamento, hoje está girando em torno de 70% a 80% em relação a um dia de pré-crise.


Pela evolução do preço das ações, percebe-se que a performance do ecommerce somado às iniciativas do vendedor online na Via Varejo conseguiram compensar boa parte da queda de valor da companhia. Além disso, as empresas voltadas apenas ao comércio online foram as que mais cresceram em meio à crise, como é o caso do Mercado Livre, Amazon e B2W, que opera o Submarino, Shoptime e Americanas.com.


Evolução do preço das ações em 2020

Além do ecommerce, “os deliverys de tudo” também tiveram um salto ao longo da pandemia. Em entrevista ao NeoFeed o presidente da Rappi no Brasil declarou que o aplicativo cresceu mais de 300% só na última quinzena de março, comparado com o início do mesmo mês, “Em um mês, crescemos o equivalente a seis meses” afirmou Sergio Saraiva.


Fontes:

Folha de São Paulo | Ecommerce só minimiza impacto da crise do coronavírus no Varejo ISTOÉ DINHEIRO | Pandemia do coronavírus faz e-commerce explodir no Brasil ISTOÉ DINHEIRO | Com covid-19, e-commerce já é 48% maior que no mesmo período de 2019 SEBRAE | Sebrae e Magalu se unem para inserir o pequeno negócio no e-commerce Folha de S. Paulo | WhatsApp já responde por 20% das vendas de Casas Bahia e Pontofrio Folha de S. Paulo | Shoppings do Brasil vão vender pela Amazon NeoFeed | O cavalo de pau do Rappi para dar conta da demanda no mercado brasileiro


2 /  DINHEIRO X OUTROS MEIOS DE PAGAMENTO

Em pesquisa realizada pela Mastercard, cerca de 14% dos brasileiros afirmaram que pararam de usar dinheiro em papel durante a pandemia e cerca de 63% dos entrevistados afirmou reduzir significativamente seu uso. Com a diminuição do uso do dinheiro físico houve grande aumento no uso de algumas tecnologias para pagamentos. A iZettle, fintech sueca, registrou crescimento de 16% no uso de pagamentos por aproximação (NFC) entre sua base de clientes no Brasil desde fevereiro de 2020.


Dentre os dispositivos mais usados na pandemia, 72% dos brasileiros apontaram usar cartões e 49% usaram smartphone, através de carteiras digitais. Essas mudanças de comportamento tendem a se manter mesmo após o fim da pandemia, 75% dos brasileiros que usaram a tecnologia de aproximação disseram que pretendem continuar usando ela.


Entre as carteiras digitais, o Picpay, ganhou destaque na pandemia. A empresa fez parceria com o governo do estado de São Paulo para a distribuição do auxílio merenda durante a quarentena e ampliou sua base de clientes. Os beneficiados recebem os valores direto no app e podem usá-lo para comprar alimentos. 


Fontes: Mastercard | Mastercard recomenda pagamentos por aproximação e uso de carteiras digitais para melhor experiência de compra Inforchannel | Pagamento por aproximação cresce 36% em meio à crise da Covid-19


3/  PRESENCIAL X VIDEOCONFERÊNCIA

As plataformas de videoconferência tiveram grande crescimento ao longo da quarentena. Com a necessidade do trabalho remoto, o uso delas se tornou indispensável na rotina de muitas pessoas. O Google Meet ultrapassou o crescimento de 60% por dia em abril, e foi utilizado cerca de 25 vezes mais do que era em janeiro. O Microsoft Teams entre 11 e 18 de março cresceu de 32MM de usuários diários para 44MM ao redor do mundo. O Skype teve crescimento de 70% de usuários cadastrados em março. 


Todas as plataformas tiveram crescimentos muito expressivos, mas o Zoom superou todas as demais, passando de 10MM de usuários em dezembro para 200MM de usuários em abril. As ações da empresa dispararam, com um aumento de 130% desde o início do ano. O gráfico abaixo ilustra o crescimento de valor de mercado da empresa.


Evolução das ações da Zoom em um ano




Fonte: TradeMap | Zoom


Apesar de estar sendo usado muito pelo público em geral, o Zoom ainda é pouco usado por empresas, se enquadrando apenas em quarto lugar na divisão de market share:

Market Share plataformas de videoconferencia para empresas:

  1. Skype for Business (57%);

  2. Microsoft Teams (23%);

  3. Webex (9%);

  4. Zoom (7%);

  5. Slack (3%);

  6. GoToMeeting (1%).


Fontes: CNNBrasil | Com pandemia, demanda por videoconferências dispara em empresas brasileiras Tracto | Zoom já cresceu 30 vezes na pandemia, mas Skype ainda lidera


4/  ACELERAÇÃO NO USO DE TECNOLOGIAS

Os mais diversos segmentos tem usado a tecnologia como forma de enfrentar a quarentena ao redor do mundo. O fundador do Zoom afirmou que o app está sendo usado por mais de 90 mil escolas em 20 países para realizar aulas pela internet. No segmento de imóveis, por exemplo, a startup RuaDois está realizando videoconferências para substituir as visitas em imóveis para locação. O host realiza o tour com o potencial locatário por chamada de video e toda a negociação é feita online, sem nenhum contato físico. A opção já era oferecida também pela plataforma do QuintoAndar desde o ano passado. 


Para as academias, a divulgação de vídeos na internet também tem sido um recurso importante. A plataforma Gympass, que dá acesso a diversas academias e estúdios com uma mensalidade única, tem usado de tecnologia para manter seus parceiros lucrando durante a pandemia. As academias gravam as aulas que são disponibilizadas na plataforma do Gympass e são remuneradas conforme a quantidade de alunos que assistem cada vídeo, equivalente ao processo de check in nos espaços físicos. 


Com a liberação do Conselho Federal de Medicina (CFM) para a Telemedicina, que aconteceu em março, as chamadas de vídeo viraram também aliadas de médicos em todo o país. Segundo CEO da Alba Saúde, rede de policlínicas do RJ, cerca de 70% dos pacientes nunca tinham feito uma chamada de vídeo antes da quarentena. A Unimed de Goiânia, pioneira da rede no uso da telemedicina, fez mais de 2000 atendimentos online no primeiro mês de funcionamento. Em Minas Gerais, o governo do estado lançou o aplicativo “Saúde Digital” onde os pacientes podem ter consultas totalmente online e só precisam visitar um hospital em casos mais graves.


Fonte: Valor Investe | Gympass anuncia medidas para ajudar as academias parceiras durante a pandemia Veja Rio | Telemedicina na quarentena G1 | Telemedicina da Unimed Goiânia já realizou mais de 200 consultas


5 / CRESCIMENTO DAS BIG TECHS

Com toda a digitalização acelerada causada pela pandemia, algumas empresas de tecnologia estão em pleno crescimento. Enquanto o principal índice da bolsa americana (S&P 500) acumulou -11,4% de resultado no ano, o acumulado de Facebook, Apple, Amazon, Microsoft e Google juntas foi de +9,4% no mesmo período.


Os novos padrões de comportamento fizeram com que a demanda pelas big techs aumentassem. No caso da Amazon o aumento da demanda por compras online fez com que as vendas crescessem muito, no Google e Facebook, foi a receita com propagandas que cresceu.  O novo normal trouxe com muita força o mundo virtual e fez com que empresas do segmento obtivessem bons resultados e tivessem que ampliar suas operações. A Amazon anunciou em março a contratação de 175.000 pessoas para atender a demanda crescente. 


A imagem abaixo ilustra o valor das ações dessas empresas no último ano, comparado com o S&P500 (ISPM200) no mesmo período.


Variação das ações das Big techs x S&P500 (ISPM20) nos últimos 12 meses



Foram inúmeras as adaptações feitas no cotidiano das pessoas durante a pandemia e  estudos indicam que a maioria das mudanças vieram para ficar, com isso as empresas que ainda não o fizeram precisam se adaptar para sobreviver diante desse cenário de mudanças aceleradas.

Fontes: BizMeet | Big techs crescem e

contratam em meio à pior recessão













Fonte: Trademap


Fontes: BizMeet | Big techs crescem e

contratam em meio à pior recessão