Big Techs

Como as Big Techs têm revolucionado e expandido mercados.

1. FAAMG

2. As Big Techs na pandemia

3. Novos negócios das Big Techs

4. Nova tributação

5. Transferência de dados internacionais



1 / FAAMG


FAAMG é o acrônimo dado para as cinco maiores empresas de tecnologia do mundo: Facebook, Amazon, Apple, Microsoft e Google. Essas empresas juntas possuem um valuation de mais de US$ 5 trilhões de dólares e já representam 20% do valor de todo o S&P500. Por vezes, utiliza-se o acrônimo FAAMNG com inclusão da Netflix neste grupo. Apesar de já serem gigantes do mercado, suas estratégias de crescimento não param. Elas já fizeram aquisições de inúmeras companhias e estão cada vez mais expandindo seu território para novos mercados.



Fonte: Investing | 5 Megabalanços Podem Definir o Destino do Mercado Americano nas Próximas Semanas



As Big Techs também estão entre as marcas mais valiosas do mundo. A ilustração abaixo traz as marcas mais representativas do mundo.



Fonte: Infomoney | Este gráfico mostra as 100 marcas mais valiosas do mundo em 2020



Facebook


O Facebook hoje possui 2,6 bilhões de usuários e, apesar de possuir apenas 16 anos de existência, já comprou mais de 70 companhias diferentes, dentre elas o Whatsapp, Instagram, Face.com, FriendFeed e OculusVR. O Instagram, adquirido pelo Facebook por US$1 bilhão, teve sua compra julgada com muito ceticismo na época, visto que tinha apenas 30 milhões de usuários e US$0 de receita. Hoje, ele cresce mais do que o próprio Facebook, possui mais de 1 bilhão de usuários e tem um valuation estimado pela Bloomberg de mais de US$100 bilhões.


Valuation do Instagram

No primeiro trimestre de 2020, o resultado do Facebook foi acima das expectativas do mercado, a receita da companhia cresceu 18% em relação ao mesmo período do ano anterior e seu lucro líquido dobrou. Além disso, nos últimos 4 meses a gigante viu suas ações se valorizarem em cerca de 60%.


Apesar do resultado positivo, o Facebook vem enfrentando boicote global de mais de 400 anunciantes por conta da maneira que vem lidando com discurso de ódio de desinformação. A empresa mais recente ao anunciar o boicote foi a Disney, e ao contrário dos demais participantes, se trata de um grande anunciante, o maior do primeiro semestre de 2020 nas plataformas do Facebook. Segundo a CNN, as 100 marcas que mais gastaram foram responsáveis por US$ 4,2 bilhões em publicidade no Facebook no ano passado, ou cerca de apenas 6% da receita de publicidade da plataforma, mostrando que a receita da empresa é bastante pulverizada entre os anunciantes e portanto o impacto do boicote ainda parece pequeno.


Em março, o número de usuários ativos diários cresceu 11% em relação ao mesmo mês em 2019, o que mostra o engajamento e relevância da plataforma para a retomada de anunciantes. Além disso, durante a pandemia, o Facebook comprou quase 10% da Realiance Jo, gigante de telecomunicações da Índia, aquisição estratégica pelo potencial do mercado indiano e pelo uso do Whatsapp no país.


Fontes:

Growth Rocks| The Big Five Tech Companies: Infographic & History

Folha | Lucro do Facebook dobra, mas empresa espera queda na publicidade por pandemia

Suno Research | Facebook cria equipes para analisar o racismo nas suas redes sociais



Amazon


Fundada em um porão em Seattle, a Amazon, em 2019, teve mais de 3,5 bilhões de pedidos (um para cada dois habitantes da Terra) e, hoje possui um valor de mercado de mais de 1,5 trilhões de dólares. Além disso, foi uma das empresas que mais ganharam com a pandemia do coronavírus, beneficiando-se do aumento das compras online e crescendo quase 65% desde o final de março.


Dentre as estratégias da Amazon, Jeff Bezos reforçou o uso da Flywhell, assim denominada por Jim Collins. Seu princípio está pautado no desenvolvimento de novos negócios e projetos com o objetivo de alavancar seu negócio inicial. A Amazon Web Services (AWS) é um exemplo disso, a solução de computação em nuvem foi criada inicialmente para suportar sua própria demanda de armazenamento e processamento de dados. Hoje ela é comercializada para outras empresas e é uma das principais fontes de receita da Amazon.

Outro ponto de destaque da Amazon é sua cultura e doutrina de obsessão pelo consumidor. Desde oferta de produtos, assistência de alto padrão, pontualidade na entrega, a empresa quer formar clientes fiéis que voltarão para consumir outros produtos. Uma frase famosa repetida por Bezos é “Your margin is my opportunity,” pela sua cultura de frugalidade e reduzir os preços para os clientes. O Amazon Prime é a concretização dessa estratégia, hoje são mais de 150 milhões de assinantes no mundo que tem acesso a vantagens como frete grátis, mais agilidade na entrega, serviços de streaming entre outros.

Para Bezos, a Amazon sempre comportará como se fosse o “Day One”, isto é, independente do seu tamanho e influência, ela terá um comportamento de startup, com agressividade para expandir suas operações e ser inovadora.

A expressão veio da carta aos acionistas publicada ainda em 1997: this is Day 1 for the Internet and, if we execute well, for Amazon.com. Today, online commerce saves customers money and precious time. Tomorrow, through personalization, online commerce will accelerate the very process of discovery. Amazon.com uses the Internet to create real value for its customers and, by doing so, hopes to create an enduring franchise, even in established and large markets.


Em 2016, Bezos escreveu: “Day 2 is stasis. Followed by irrelevance. Followed by excruciating, painful decline. Followed by death. And that is why it is always Day 1.”


Fonte: Infomoney | Cinco estratégias de Jeff Bezos que fizeram da Amazon uma das empresas de maior sucesso da história


Apple


A Apple foi a primeira empresa na Bolsa a ter um valor de mercado acima de 1 trilhão de dólares e hoje é a empresa mais valiosa das bolsas de valores dos EUA com um valor de mercado de 1,68 trilhões de dólares.


Atualmente, o número de pessoas que compram seu primeiro iPhone (carro chefe da Apple na última década) tem diminuído desde o seu pico em 2016. A empresa também observou que as pessoas estão mantendo seus iPhones por períodos de tempo mais longos e, além disso, analistas da Goldman Sachs projetaram que os consumidores terão tendência a consumir os modelos mais baratos, reduzindo o preço médio dos iPhones vendidos pela Apple.


Apesar disso, a Apple registrou uma receita trimestral recorde na última temporada de fim de ano e suas ações subiram cerca de 70% desde o final de março de 2020. Isso acontece porque essa gigante vem relatando, trimestre após trimestre, um crescimento cada vez maior na receita de serviços (assinaturas de iCloud, Apple Music e TV e comissões sobre vendas de aplicativos), que hoje está representando cerca de 23% da receita total da companhia. Outro fator que explica o crescimento é o número de dispositivos ativos da Apple no mundo, em 2016, existiam 1 bilhão de dispositivos ativos, hoje são 1,5 bilhão. Desses 1,5 bilhão de dispositivos, aproximadamente 500 milhões são de consumidores que possuem apenas um iPhone e nenhum outro dispositivo da Apple, o que representa uma parcela grande de oportunidades para aumentar a receita com outros produtos da marca.


Fontes:

Techtudo | Apple faz 44 anos: veja sete vezes que a empresa saiu na frente das rivais

Folha | Cada vez menos pessoas compram seu primeiro iPhone, mas Apple não está preocupada


Microsoft


Batizada com a junção das palavras “microcomputer” e “software”, a Microsoft foi fundada por Bill Gates e Paul Allen em 1976. Em 1980, a empresa já tinha alcançado fama o suficiente para chegar aos ouvidos da IBM, líder global de computadores empresariais, que na época precisava de um sistema operacional para lançar seu microcomputador pessoal. Em um dos maiores blefes do mundo corporativo, Gates disse que já tinha um programa e assinou o contrato com a IBM, quando, na verdade, ele foi comprar um sistema pronto e fez alguns ajustes para a comercialização. Essa exposição permitiu a alavancagem da Microsoft como líder global de softwares e colocou Bill Gates na lista dos homens mais ricos do mundo (revista Forbes) ainda na década de 80.


Em meados da década de 2000, a Microsoft começou a perder a liderança em softwares por não entrar na revolução tecnológica dos telefones celulares, além disso, empresas ficaram à sua frente em diferentes produtos como a Apple com os tocadores de música e o Google com anúncios online e sistemas operacionais para celular. Para correr contra o tempo perdido nessas categorias, a Microsoft adquiriu empresas como o Yahoo, Skype, Nokia, Linkedin e, desde 2014, passou a focar em soluções na nuvem e inteligência artificial.


Hoje a empresa é a segunda mais valiosa do mundo com um valor de mercado acima de US$1,5 trilhões. Seu resultado do primeiro trimestre de 2020 superou expectativas dos investidores, a receita subiu 15% em relação ao ano anterior e o lucro líquido atingiu US$10,75 bilhões contra US$8,81 bilhões no ano anterior. Esse resultado foi muito impulsionado pela demanda da ferramenta de comunicação remota Teams e pela plataforma Xbox de videogames. Durante a pandemia a empresa vem se destacando, crescendo 51% nos últimos 4 meses, o que supera o desempenho do S&P que foi de 38% no mesmo período.


Fontes:

Infomoney | Bill Gates: de prodígio a bilionário que quer mudar o mundo

Seu Dinheiro | Bill Gates viu o futuro, blefou para fechar contratos e ficou bilionário – e decidiu doar quase tudo

Forbes | How Microsoft Created $800 Billion In 3 Years – Can It Repeat?

UOL | Microsoft tem resultado acima do esperado impulsionado por serviços online


Google

O Google nasceu nos dormitórios da Universidade de Stanford por Larry Page e Sergey Brin como um produto que fazia ranking e indexação de páginas na internet. Hoje essa gigante conta com produtos como Youtube, Android, Chrome, Waze, Google Maps, Translate, dentre outros. A Alphabet, holding que abriga o Google e outras iniciativas, atingiu no início de 2020 um valor de mercado de US$1 trilhão, se tornando a terceira empresa americana a atingir esse patamar e é hoje a quarta empresa mais valiosa das bolsas de valores dos EUA. Dentre os negócios da Alphabet estão a Calico, empresa de biotecnologia com foco em pesquisa e desenvolvimento para tornar a vida humana mais longa e saudável, a Google Capital e Google Ventures, que focam em investimentos em outras empresas e startups e Google Nest com foco em produtos de smart home. No primeiro trimestre de 2020, a Alphabet obteve um aumento de 13,2% de receita em comparação com o mesmo período do ano anterior e um lucro líquido de US$6,8 bilhões.


Dentre os diversos produtos da Google, a computação em nuvem (Google Cloud) gerou uma receita de US$2,77 bilhões no primeiro trimestre, o que representa um aumento de 52% em relação ao mesmo período de 2019 e um aumento de 6,9% em relação ao trimestre anterior. É esperado um crescimento pela computação em nuvem ao mesmo passo que o trabalho remoto se consolida no mundo.


A receita de anúncios do Google também cresceu consideravelmente no primeiro trimestre, com um aumento de 33% no período. Mas a empresa diz que houve uma diminuição significativa de receita com publicidade no mês de março, quando os efeitos da pandemia começaram a ser sentidos e investidores se preocupam com esse impacto negativo de redução dos gastos com publicidade visto que essa parcela respondeu por 82% da receita trimestral total da companhia. Dessa forma, as ações do Google subiram “apenas” 42% nos últimos 4 meses, ficando atrás das outras 4 Big Techs.


Fontes:

Infomoney | Dona do Google supera expectativas no primeiro trimestre, mas publicidade recua

Infomoney | Alphabet, holding do Google, bate US$ 1 trilhão em valor

Infomoney | Larry Page: o gênio que criou o Google e deixou todas as informações à distância de um clique


Ações FAAMG x demais empresas S&P500


Fonte: FactSet, Goldman Sachs Global Investment Research



2 / As Big Techs na pandemia


Ao contrário da situação causada pela pandemia na maioria das empresas, as Big Techs tiveram crescimentos significativos no período. A pandemia tornou os serviços dessas empresas quase como essenciais, através da necessidade de compras online, de distração durante o confinamento e como forma de comunicação.




A Apple comprou pelo menos quatro empresas este ano e lançou um novo iPhone. A Microsoft comprou três empresas de computação em nuvem. A Amazon está negociando a aquisição de uma startup de veículos autônomos, alugou mais aviões para entrega e contratou mais 175 mil pessoas desde março. O Google lançou novos recursos de mensagens e vídeo. O Facebook entrou com participação em algumas empresas como a indiana Reliance Jio e lançou novos produtos, como o Messenger Rooms.


Com todos os investimentos e crescimento dessas empresas seus valores de mercado dispararam no período, a imagem abaixo ilustra o acumulado de crescimento do ano, incluindo também a Netflix, uma das gigantes de tecnologia favorecida com o período de quarentena e que muitas vezes já é incluída no acrônimo original das Big Techs, formando a FAANGM.



Fonte: Investing | Finance (@investing.mindset) • Instagram photos and videos


Fontes:

Estadão | A economia está cambaleando. E as gigantes de tecnologia buscam oportunidades

The Washington Post | Why Amazon, Facebook, Google, Apple and Microsoft are the winners of the coronavirus crisis - The


3 / Novos negócios das Big Techs


A expansão das frentes de negócios parece ser uma estratégia da maioria das Big Techs. Scott Galloway, autor do livro ‘Os Quatro: Apple, Amazon, Facebook e Google, o Segredo dos Gigantes da Tecnologia’ comenta que as empresas já não tem muito como expandir em seus setores, já que praticamente dominam o mercado mundial, e portanto é comum a perspectiva de entrada em novos negócios.


No início do ano a Microsoft criou a iniciativa AI for health (Inteligência artificial para a saúde, em português) que tem como objetivo dar recursos para acelerar a pesquisa médica e dar suporte às pesquisas. Na mesma linha, logo no início da pandemia, Google e Apple já vinham mostrando interesse no setor de saúde. O Google criou o projeto Nightingale com a Ascension, um dos principais sistemas de saúde dos EUA, que juntos esperam desenvolver ferramenta de inteligência artificial para médicos. Além de ter comprado a Fitbit, marca de relógios que medem atividade física, frequência cardíaca, entre outros. Já a Apple vem investindo no Apple watch, com diversas funcionalidades ligadas também a saúde.


Outro setor que está sendo usado pelas Big Techs para a expansão é o bancário. A Apple possui o Apple pay, que possibilita o pagamento via celular, e no ano passado, juntamente com o Goldman Sachs lançou o seu próprio cartão de crédito, o Apple card. Também no ano passado o Facebook lançou o Facebook Pay, que permite pagamentos e transferências pelos aplicativos da empresa, como o Whatsapp e o Instagram. O primeiro país a ser testado os pagamentos por Whatsapp foi o Brasil, mas teve sua sequência interrompida pelo Banco Central, devido à risco de segurança. O presidente do Bacen, Roberto Campos Neto, afirmou no último dia 16 que o sistema irá voltar ao ar no Brasil o mais rápido possível, que só está sendo feita todo o fluxo de aprovação pelo qual todos os meios de pagamentos passam no país.


Fontes:

G1 | Pagamento via Whatsapp será aprovado o mais rápido possível, diz presidente do BC

Veja | Na crise, gigantes como Apple, Google e Facebook expandem atuação

O Globo | 'Big techs' querem tomar conta do seu dinheiro

BBC | Project Nightingale: Google accesses trove of US patient data


4 / Nova tributação


A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) está reestruturando as regras tributárias globais, com foco em atualizar para a era digital. Para tal, 140 países estão envolvidos no desenvolvimento desse acordo e possuem interesses conflitantes.


Enquanto para os EUA, é interessante que o critério de tributação seja do país que a empresa tem presença física, tendo em vista que a maioria das Big Techs estão em seu território, para a maioria dos demais países, que concentram grande parte da demanda, o interesse está em tributar a transação que acontece envolvendo consumidores do seu território.


Na metade de junho os EUA se retiraram das negociações alegando que o acordo não estava progredindo, na mesma data afirmou que medidas de retaliação poderiam ser aplicadas à Europa se a construção de impostos específicos para empresas de tecnologia norte-americanas continuasse. Esse movimento provocou receios de que uma nova guerra comercial, entre EUA e União Européia pudesse acontecer.


A França, um dos países que estipulou novos impostos sobre os serviços digitais, tinha suspendido a cobrança enquanto os países estavam em negociação. Porém com a saída dos EUA, o ministro Bruno Le Maire afirmou que os impostos serão implantados ainda em 2020.


No Brasil, a discussão sobre o tema também está em alta, no último dia 16 a Câmara dos deputados fez um requerimento formal ao ministro da economia Paulo Guedes pedindo detalhamento sobre os impostos pagos pelas empresas de tecnologia ao Brasil. Há dois projetos de lei (PL) em andamento que corroboram essa afirmação um que prevê a criação de uma Cide (Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico) Tecnologia, incidente sobre a receita bruta de serviços digitais de grandes empresas de tecnologia e outro que prevê uma alíquota majorada para a Cofins para empresas de com alta receita e que utilizam plataformas digitais.


Fontes:

Valor |Câmara questiona Guedes sobre tributação de gigantes da tecnologia no Brasil

Valor | Tributação digital brasileira na berlinda | Legislação | Valor Econômico

Suno | EUA suspendem projeto de impostos digitais globais

Yahoo | Gigantes da Tecnologia podem ser tributadas na Europa de forma unilateral


5 / Transferência de dados internacionais


Outra decisão tomada nos últimos dias tende a afetar as Big Techs. O Tribunal de Justiça da União Européia anulou o acordo de transferência de dados entre União Européia e EUA, a medida encerra o acesso que as empresas dos EUA tinham de dados pessoais de usuários da Europa, tornando a situação igualitária com os demais países. A medida tende a afetar principalmente empresas como Facebook e Google. O Facebook se pronunciou dizendo que ainda está estudando os reais impactos da nova decisão.


Segundo Max Schrems, um dos juristas que iniciou o caso, a transferência de dados entre as sedes do Facebook na Irlanda e a matriz na Califórnia permitem que agências de segurança como o FBI e NSA possam ter também acesso aos dados.


As empresas afetadas, incluindo diversas empresas menores que usam também de transferência de dados entre as duas regiões, agora terão que assinar contratos padrões da UE garantindo padrões de segurança nas transações.


Fontes:

BBC | EU-US Privacy Shield for data struck down by court

O Globo | Justiça europeia anula acordo UE-EUA sobre transferência de dados pessoais; decisão afeta gigantes como Facebook