Atualizado: 11 de Jun de 2020

Setores impactados e novos hábitos de consumo


1. Aceleração do E-commerce e vendas digitais 2. Dinheiro x Outros meios de pagamento 3. Presencial x Videoconferência 4. Aceleração no uso de Tecnologias 5. Crescimento das Big Techs




A pandemia do covid-19 mudou muito o comportamento das pessoas ao redor de todo mundo, novos hábitos de consumo se estabeleceram e enquanto uma crise se formalizada para muitos setores, outros atingiram o auge do seu crescimento. As novas necessidades fizeram com que a transformação digital das empresas fosse acelerada e as tendências mostram que muitos desses novos comportamentos devem se manter no longo prazo.


1/  ACELERAÇÃO DO E-COMMERCE E VENDAS DIGITAIS

Com as lojas sendo obrigadas a fecharem suas portas devido à pandemia do Coronavírus, a representatividade do e-commerce aumentou substancialmente. Segundo a ABComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico), a média de lojas que abriam mensalmente o comércio eletrônico era de 10 mil e passou para 50 mil logo após os decretos de isolamento social. Da segunda quinzena de março até final de abril, a venda pelo e-commerce mostrou um crescimento de 48,3% quando comparado ao mesmo período do ano anterior e um aumento de 14,4% quando comparado ao período pré-covid (início de fevereiro à primeira quinzena de março).


Os seis setores que tiveram maior crescimento de vendas online são: Calçados (99,44%), Bebidas (78,90%), Eletrodomésticos (49,29%), Autopeças (44,64%), Supermercado (38,92%), Artigos Esportivos (25,75%), Móveis e Decoração (23,61%) e Moda (18,38%). 

Uma parte importante desse crescimento vem de pequenos lojistas que estão usando plataformas já estabelecidas como B2W (Submarino e Americanas) e Amazon como marketplaces, o que permite a venda nessas plataformas em troca de comissionamento. Algumas iniciativas ajudaram a impulsionar esse movimento, como é o caso da Magazine Luiza que criou o programa Parceiro Magalu para atrair pequenos varejistas que tiveram suas lojas fechadas. Em parceria com o Sebrae, a Magazine Luiza está proporcionando um ambiente digital de negócios, marketing, logística de entrega, ferramenta de faturamento e instrumentos de análise de dados para a gestão da loja. Com isso, ela já ganhou 16 mil novas empresas para seu marketplace, mais que os 14 mil que tinha no fim de 2019.


Além disso, shoppings como o Eldorado, em São Paulo, e Nova América, no Rio de Janeiro, estão levando suas lojas para a Amazon Brasil onde terão uma página exclusiva no marketplace. De acordo Diego Marcondes, diretor de marketing da Ancar Ivanhoe ( administradora dos dois shoppings), essa ação faz parte de um pacote de medidas para a digitalização de vendas e a ideia é ter páginas para todos os shoppings do grupo na plataforma da Amazon até o final do ano. A entrega ficará sob responsabilidade do lojista e ele poderá usar soluções para digitalização do estoque de forma gratuita durante 60 dias ou enquanto sua loja estiver fechada.


A Ancar Ivanhoe também está investindo em armários digitais para alavancar as vendas. Essa iniciativa, chamada “Retire aqui”, funcionará como drive-thru sem hora marcada em 21 empreendimentos da companhia. Ao comprar via site ou WhatsApp, o cliente receberá um QR Code da loja para destrancar o armário dentro de 72h. Segundo Evandro Ferrer, presidente da Ancar Ivanhoe, há uma estimativa de que 50% dos consumidores devem seguir comprando online depois do fim da pandemia e os shoppings e o varejo como um todo precisam acelerar a digitalização para acompanhar o movimento.


Outra iniciativa que está alavancando as vendas online é a venda por WhatsApp. Na Via Varejo a campanha “Me Chama no Zap” já é utilizada por 7500 vendedores e corresponde a 20% das vendas. “A gente olhou para o que o consumidor estava disposto a consumir e disparou [oferta] para eles. Foi uma oferta já por CPF” disse Roberto Fulcherberger, diretor-executivo da companhia. A varejista, que no início da crise do coronavírus sofreu uma queda de 70% do seu faturamento, hoje está girando em torno de 70% a 80% em relação a um dia de pré-crise.


Pela evolução do preço das ações, percebe-se que a performance do ecommerce somado às iniciativas do vendedor online na Via Varejo conseguiram compensar boa parte da queda de valor da companhia. Além disso, as empresas voltadas apenas ao comércio online foram as que mais cresceram em meio à crise, como é o caso do Mercado Livre, Amazon e B2W, que opera o Submarino, Shoptime e Americanas.com.


Evolução do preço das ações em 2020

Além do ecommerce, “os deliverys de tudo” também tiveram um salto ao longo da pandemia. Em entrevista ao NeoFeed o presidente da Rappi no Brasil declarou que o aplicativo cresceu mais de 300% só na última quinzena de março, comparado com o início do mesmo mês, “Em um mês, crescemos o equivalente a seis meses” afirmou Sergio Saraiva.


Fontes:

Folha de São Paulo | Ecommerce só minimiza impacto da crise do coronavírus no Varejo ISTOÉ DINHEIRO | Pandemia do coronavírus faz e-commerce explodir no Brasil ISTOÉ DINHEIRO | Com covid-19, e-commerce já é 48% maior que no mesmo período de 2019 SEBRAE | Sebrae e Magalu se unem para inserir o pequeno negócio no e-commerce Folha de S. Paulo | WhatsApp já responde por 20% das vendas de Casas Bahia e Pontofrio Folha de S. Paulo | Shoppings do Brasil vão vender pela Amazon NeoFeed | O cavalo de pau do Rappi para dar conta da demanda no mercado brasileiro


2 /  DINHEIRO X OUTROS MEIOS DE PAGAMENTO

Em pesquisa realizada pela Mastercard, cerca de 14% dos brasileiros afirmaram que pararam de usar dinheiro em papel durante a pandemia e cerca de 63% dos entrevistados afirmou reduzir significativamente seu uso. Com a diminuição do uso do dinheiro físico houve grande aumento no uso de algumas tecnologias para pagamentos. A iZettle, fintech sueca, registrou crescimento de 16% no uso de pagamentos por aproximação (NFC) entre sua base de clientes no Brasil desde fevereiro de 2020.


Dentre os dispositivos mais usados na pandemia, 72% dos brasileiros apontaram usar cartões e 49% usaram smartphone, através de carteiras digitais. Essas mudanças de comportamento tendem a se manter mesmo após o fim da pandemia, 75% dos brasileiros que usaram a tecnologia de aproximação disseram que pretendem continuar usando ela.


Entre as carteiras digitais, o Picpay, ganhou destaque na pandemia. A empresa fez parceria com o governo do estado de São Paulo para a distribuição do auxílio merenda durante a quarentena e ampliou sua base de clientes. Os beneficiados recebem os valores direto no app e podem usá-lo para comprar alimentos. 


Fontes: Mastercard | Mastercard recomenda pagamentos por aproximação e uso de carteiras digitais para melhor experiência de compra Inforchannel | Pagamento por aproximação cresce 36% em meio à crise da Covid-19


3/  PRESENCIAL X VIDEOCONFERÊNCIA

As plataformas de videoconferência tiveram grande crescimento ao longo da quarentena. Com a necessidade do trabalho remoto, o uso delas se tornou indispensável na rotina de muitas pessoas. O Google Meet ultrapassou o crescimento de 60% por dia em abril, e foi utilizado cerca de 25 vezes mais do que era em janeiro. O Microsoft Teams entre 11 e 18 de março cresceu de 32MM de usuários diários para 44MM ao redor do mundo. O Skype teve crescimento de 70% de usuários cadastrados em março. 


Todas as plataformas tiveram crescimentos muito expressivos, mas o Zoom superou todas as demais, passando de 10MM de usuários em dezembro para 200MM de usuários em abril. As ações da empresa dispararam, com um aumento de 130% desde o início do ano. O gráfico abaixo ilustra o crescimento de valor de mercado da empresa.


Evolução das ações da Zoom em um ano




Fonte: TradeMap | Zoom


Apesar de estar sendo usado muito pelo público em geral, o Zoom ainda é pouco usado por empresas, se enquadrando apenas em quarto lugar na divisão de market share:

Market Share plataformas de videoconferencia para empresas:

  1. Skype for Business (57%);

  2. Microsoft Teams (23%);

  3. Webex (9%);

  4. Zoom (7%);

  5. Slack (3%);

  6. GoToMeeting (1%).


Fontes: CNNBrasil | Com pandemia, demanda por videoconferências dispara em empresas brasileiras Tracto | Zoom já cresceu 30 vezes na pandemia, mas Skype ainda lidera


4/  ACELERAÇÃO NO USO DE TECNOLOGIAS

Os mais diversos segmentos tem usado a tecnologia como forma de enfrentar a quarentena ao redor do mundo. O fundador do Zoom afirmou que o app está sendo usado por mais de 90 mil escolas em 20 países para realizar aulas pela internet. No segmento de imóveis, por exemplo, a startup RuaDois está realizando videoconferências para substituir as visitas em imóveis para locação. O host realiza o tour com o potencial locatário por chamada de video e toda a negociação é feita online, sem nenhum contato físico. A opção já era oferecida também pela plataforma do QuintoAndar desde o ano passado. 


Para as academias, a divulgação de vídeos na internet também tem sido um recurso importante. A plataforma Gympass, que dá acesso a diversas academias e estúdios com uma mensalidade única, tem usado de tecnologia para manter seus parceiros lucrando durante a pandemia. As academias gravam as aulas que são disponibilizadas na plataforma do Gympass e são remuneradas conforme a quantidade de alunos que assistem cada vídeo, equivalente ao processo de check in nos espaços físicos. 


Com a liberação do Conselho Federal de Medicina (CFM) para a Telemedicina, que aconteceu em março, as chamadas de vídeo viraram também aliadas de médicos em todo o país. Segundo CEO da Alba Saúde, rede de policlínicas do RJ, cerca de 70% dos pacientes nunca tinham feito uma chamada de vídeo antes da quarentena. A Unimed de Goiânia, pioneira da rede no uso da telemedicina, fez mais de 2000 atendimentos online no primeiro mês de funcionamento. Em Minas Gerais, o governo do estado lançou o aplicativo “Saúde Digital” onde os pacientes podem ter consultas totalmente online e só precisam visitar um hospital em casos mais graves.


Fonte: Valor Investe | Gympass anuncia medidas para ajudar as academias parceiras durante a pandemia Veja Rio | Telemedicina na quarentena G1 | Telemedicina da Unimed Goiânia já realizou mais de 200 consultas


5 / CRESCIMENTO DAS BIG TECHS

Com toda a digitalização acelerada causada pela pandemia, algumas empresas de tecnologia estão em pleno crescimento. Enquanto o principal índice da bolsa americana (S&P 500) acumulou -11,4% de resultado no ano, o acumulado de Facebook, Apple, Amazon, Microsoft e Google juntas foi de +9,4% no mesmo período.


Os novos padrões de comportamento fizeram com que a demanda pelas big techs aumentassem. No caso da Amazon o aumento da demanda por compras online fez com que as vendas crescessem muito, no Google e Facebook, foi a receita com propagandas que cresceu.  O novo normal trouxe com muita força o mundo virtual e fez com que empresas do segmento obtivessem bons resultados e tivessem que ampliar suas operações. A Amazon anunciou em março a contratação de 175.000 pessoas para atender a demanda crescente. 


A imagem abaixo ilustra o valor das ações dessas empresas no último ano, comparado com o S&P500 (ISPM200) no mesmo período.


Variação das ações das Big techs x S&P500 (ISPM20) nos últimos 12 meses



Foram inúmeras as adaptações feitas no cotidiano das pessoas durante a pandemia e  estudos indicam que a maioria das mudanças vieram para ficar, com isso as empresas que ainda não o fizeram precisam se adaptar para sobreviver diante desse cenário de mudanças aceleradas.

Fontes: BizMeet | Big techs crescem e

contratam em meio à pior recessão













Fonte: Trademap


Fontes: BizMeet | Big techs crescem e

contratam em meio à pior recessão

Atualizado: 27 de Mai de 2020

Histórico, impactos e as perspectivas para o pós-crise


1. OPEP e os maiores produtores de petróleo do mundo

2. Crises do petróleo

3. A crise atual

4. Impactos no Brasil e na Petrobras

5. Perspectivas para o pós-crise





Em todo mundo, existem hoje ao menos 100 países produtores de petróleo. O mercado petrolífero respondeu sozinho por quase 4% do PIB mundial em 2019, um negócio que movimentou US$ 86 trilhões e empregou 4 milhões de pessoas. A crise no setor afeta a economia na maior parte dos países do mundo. O petróleo, mais conhecido pela produção de combustíveis, também está presente na composição de diversos outros produtos como cosméticos, corantes, conservantes para alimentos, borracha sintética e plástico.


1 /  OPEP E OS MAIORES PRODUTORES DE PETRÓLEO DO MUNDO

Até 1960 todo o processo de exploração e exportação de petróleo do Oriente Médio era dominado por um cartel denominado Sete Irmãs, composto de multinacionais petrolíferas (5 americanas, 1 britânica e 1 anglo-holandesa). Insatisfeitos com o domínio estrangeiro, os países produtores Arábia Saudita, Irã, Iraque, Kuwait e Venezuela se juntaram para formar a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo). O objetivo da organização é centralizar toda a política de compra e venda do mercado de petróleo, controlando os volumes produzidos e os preços. 


Atualmente a OPEP é composta por 13 membros. Além dos países originais, foram incorporados: Argélia, Angola, Congo, Guinea Equatorial, Gabão, Líbia, Nigéria e Emirados Árabes Unidos. Em conjunto, esses países concentram cerca de 75% das reservas mundiais de petróleo e atendem aproximadamente 60% das exportações do produto no mundo. 


A fundação da OPEP (e seu controle sobre os preços do petróleo) gerou inúmeros impactos e reações pelo mundo. No Brasil, a criação do Pró-alcool, em 1975, teve como objetivo diminuir a dependência do país com os derivados do petróleo através da substituição da gasolina pelo Etanol, logo depois de uma disparada dos preços em 1973, originada da decisão de limitação da produção e exportação de petróleo pela OPEP.




Fonte: G1 | Maiores produtores de petróleo


Nos últimos anos, pela primeira vez, a oferta de petróleo superou a demanda pelo produto. A maior contribuição veio dos EUA, que descobriram uma forma de extrair petróleo de um dos solos mais comuns no país, com o petróleo de xisto, os EUA passaram a ser o maior produtor da commodity no mundo. De acordo com análises da AIE (Agência Internacional de Energia) a tendência é que até 2021 os EUA ultrapassem a Arábia Saudita e se tornem também o maior exportador do produto.


2/  CRISES DO PETRÓLEO


Desde a década de 70 algumas crises marcaram o mercado de petróleo, logo no início da década a combinação de preços pelos países da OPEP aliada à descoberta que a commodity se tratava de um recurso não renovável fez os preços dispararem, chegando a um aumento de preços de 400%.Um resumo dos principais acontecimentos pode ser visto na linha do tempo a seguir.



Fonte: R&IVisagio (2020) | Dados: Nexo Jornal | Qual o Histórico das Crises Mundiais do Petróleo




Fonte:R&I Visagio (2020) | Dados: investing.com


3/  A CRISE ATUAL

Em 9 de março de 2020, os mercados de petróleo do mundo abriram em forte queda atingindo 30% de desvalorização. Essa queda representava, até então, a maior queda no preço do barril desde o início dos anos de 1990 na Guerra do Golfo. Devido ao contexto do covid-19, a demanda por petróleo já estava diminuindo, o que pressionava o preço do barril para baixo. Diante disso, a Arábia Saudita propôs à OPEP e seus aliados um corte na produção com o intuito de acompanhar a redução da demanda, evitando quedas substanciais no preço e no mercado de petróleo. No entanto, a Rússia, terceiro maior produtor de petróleo do mundo, recusou esse acordo porque entendeu que uma ação para elevar ou estabilizar o preço do petróleo beneficiaria as empresas de xisto dos EUA. A recusa levou a Arábia Saudita a começar uma guerra de preços, anunciando um aumento na produção e oferta de barris de petróleo e gerando grande desvalorização nos preços.


Em meio à desaceleração da economia global por conta da pandemia do covid-19, no dia 12 de abril de 2020, uma nova reunião da OPEP e aliados chegou a um acordo de redução da produção de petróleo em 9,7 milhões de barris por dia (equivalente a 10% da produção mundial). O acordo tem duração de 2 meses e começou a valer a partir do dia 1 de maio. Porém, essa definição pode não ser suficiente para compensar a redução da demanda, que foi estimada pela AIE em cerca de 29 milhões de barris por dia.

Com a guerra de preços iniciada pela Arábia Saudita e Rússia no início de março e o colapso econômico gerado pela pandemia do covid-19, há um processo de esgotamento na capacidade de armazenamento de petróleo.


Esse quadro atingiu principalmente o mercado americano, registrando em 20 de abril de 2020 um recuo de mais de 300% dos contratos de petróleo WTI (West Texas Intermediate - petróleo americano negociado na bolsa de Nova York) com vencimento para maio, ficando negativo pela primeira vez na história. Esses valores negativos significam que o dono do contrato terá que pagar para alguém caso queira se desfazer desse papel. “O colapso, no entanto, é principalmente um reflexo dos investidores que transferiram seus contratos para junho, pois ninguém quer receber a entrega já que a capacidade de armazenamento está chegando ao fim”, segundo o analista da Oanda em Nova York, Edward Moya.

O petróleo Brent (petróleo europeu negociado na bolsa de Londres) não atingiu patamares tão extremos, a explicação para tal é a diferença entre os tipos de contrato de Brent e WTI. No primeiro quando ocorre o vencimento do contrato é efetuada apenas a liquidação financeira, diferente do WTI que no vencimento possui também a entrega física do produto. Assim, como os estoques mundiais estavam em níveis altos e os detentores dos contratos não queriam receber mais produto, houve uma queda acentuada de preços na tentativa da venda dos contratos antes do vencimento.


Fontes:

Negative Oil Prices: How it Happened and Resulting Implications Nexo Jornal | Porque o valor do petróleo atingiu níveis tão baixos Valor Investe | Petróleo WTI para maio fecha em queda sem precedente de 300% e preço negativo



Fonte: investing.com



Fonte: investing.com


4/  IMPACTOS NO BRASIL E NA PETROBRAS

Diante de todo esse cenário, a Petrobras anunciou redução nos investimentos na ordem de 30% em 2020, hibernação das plataformas em águas rasas e corte na produção de 200 mil barris por dia de petróleo, seguindo a tendência de mercado. Segundo a estatal, o momento caracteriza “a pior crise da indústria do petróleo nos últimos 100 anos”.  O derretimento do mercado levou a Petrobras a perder R$ 91 bilhões em valor de mercado apenas no dia 9 de março. Relatório do BB Investimentos, projeta que, para cada variação de 5 dólares nas cotações do petróleo, o caixa da Petrobras será afetado em aproximadamente 3 bilhões de dólares.



Fonte: Google | PETR4


Com a quarentena houve também uma queda na venda de combustíveis, no Brasil a venda não era tão baixa desde a greve dos caminhoneiros em maio de 2018. Com a queda da demanda veio também uma baixa nos preços. De acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço da gasolina atingiu, na semana entre 19 e 25 de abril, a média de R$ 3,992 o litro — o patamar mais baixo, em valores nominais, desde a semana entre 12 e 18 de novembro de 2017. No caso do diesel a média de R$ 3,346 o litro foi a mais baixa, sem correção monetária, desde o período entre 24 e 30 de dezembro de 2017.


Em abril, a Petrobras cortou em 15% o preço da gasolina nas refinarias e em 19% os preços do diesel. No ano, a redução foi de 52% na gasolina e 48% no diesel. O reflexo porém não é proporcional para o cliente final. No Brasil, a baixa do preço do petróleo é compensada pela alta do dólar, já que a commodity é negociada no mercado internacional, em dólar.


O petróleo é também responsável por boa parte da arrecadação de impostos no Brasil. A projeção de arrecadação com royalties, valores pagos pelas petroleiras à União e aos estados pelo direito de explorar, era de R$ 58,5 bilhões em 2020, considerando uma cotação média de US$ 71,25 para o barril. Com o barril a US$ 40 na média do ano, a projeção é de uma arrecadação de R$ 38,5 bilhões.


A incerteza gerada pela queda do petróleo - não se sabe, por exemplo, quanto tempo vai durar esse patamar de preços e a queda de braço entre Arábia Saudita e Rússia -  atrapalha também a atração de investimentos para o Brasil.


5 / PERSPECTIVAS PARA  O PÓS-CRISE

Com a economia chinesa saindo do confinamento causado pela Covid-19, seus estoques de petróleo começaram a encolher depois de terem atingido níveis recordes. Os estoques do maior importador do mundo são sinais preliminares de que o mercado global de petróleo começa a se reequilibrar após o colapso da demanda, de acordo com o Morgan Stanley. Em abril, a China importou 9,9 milhões de barris de petróleo por dia, alta de 1,7% em relação a março, mas abaixo da média do ano passado de cerca de 10,2 milhões de barris por dia.


O uso desses estoques estão sendo destinados principalmente a gasolina e diesel devido a volta do tráfego nas cidades chinesas. O temor de aglomerações estão levando os passageiros a optarem pelo isolamento dos carros ao invés do transporte público. O horário de rush de Pequim e Shenzhen apresentaram maior movimento no final do mês de abril em relação ao mesmo período no mês passado. Por outro lado, o número de passageiros de metrô ficou 50% abaixo dos níveis pré-vírus em Pequim e cerca de 30% abaixo em Xangai, de acordo com dados compilados pela BloombergNEF.


Unindo os quatro principais países com refino na Ásia - China, Índia, Japão e Coreia do Sul - o mês de abril atingiu 84% das capacidades produtivas, abaixo da faixa dos 94-97%, média dos últimos cinco anos. O custo da produção de gasolina em Cingapura a partir do Brent mostra sinais de melhora, mas ainda não está nos patamares anteriores à crise. No dia 15 de maio havia prejuízo de $0,85 por barril, muito melhor do que os prejuízos de $13,15 em 14 abril, mas longe ainda da alta de +$9,35 por barril alcançada em fevereiro.

No Brasil, a exportação de petróleo atingiu cerca de 308 mil toneladas ao dia na primeira semana de maio de 2020, aumento de 40,4% em comparação com o mesmo período no ano passado, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Em abril, a Petrobrás exportou recorde de 1 milhão de barris por dia, 145% a mais quando comparado ao mesmo período em 2019. No primeiro quadrimestre de 2020, a China absorveu a maior parte das vendas, com um share de 60% das vendas de petróleo exportado. 


Em um comunicado da Petrobrás, a diretora executiva de Refino e Gás Natural, Anelise Lara, explicou que a petroleira está se beneficiando de novas regras marítimas internacionais, que levaram a um aumento da demanda por seu petróleo com baixo teor de enxofre (obtido com menor custo com o uso do petróleo do pré-sal). Além disso, também se beneficia de investimentos realizados em logística de exportação, os quais deram mais rapidez no transporte para as refinarias chinesas, fator importante em momentos de crise.

Ainda é cedo para sabermos todos os comportamentos posteriores à crise com relação ao consumo de petróleo, mas a tendência é que até o fim do ano a demanda por combustível continue instável e os preços do petróleo mais voláteis.


Fontes: InfoMoney | Estoques de petróleo param de crescer na China G1 | Exportação de petróleo do Brasil sobe 40% no início de maio; preço cai pela metade Uol | Petrobras exporta recorde de petróleo em abril, com China minimizando crise Reuters | China refineries loom over Asia with record oil product exports: Russell